Mais de dois meses após a polêmica entrevista ao vivo do governador Beto Richa (PSDB) para uma rádio de Curitiba em maio (2014), somente agora foi comentada pelo senador Roberto Requião (PMDB). Foi a primeira vez que falou em público sobre os cavalos particulares mantidos por ele na Granja do Canguiri, em seu segundo mandato consecutivo na Palácio Iguaçu. E Requião não quis se pronunciar. A questão foi repetidamente abordada por Richa na entrevista, provocando na mesma semana abertura de investigação pelo Ministério Público Estadual.
A manifestação de Requião foi nessa semana durante sabatina na PUC, quando um estudante perguntou o que ele tinha a dizer. Fosse um jornalista Requião teria esbravejado, mas no caso optou por dar uma explicação. Começou do jeito que o povo gosta: "Meus cavalos não comem no Île de France”. É que um jornal tinha estimado o custo da alimentação dos 88 cavalos em cerca de R$ 8 milhões.
De prefeitos - Sobre a origem de sua tropa, disse que foram doados por prefeitos. E que na granja do governo, "todos [os cavalos] comiam capim. A maioria foram doados para a polícia, garantiu Requião. E mais, que enquanto estavam no Canguiri eram usados "para o patrulhamento da Vila Zumbi e arredores”, disse. Não lhe foi perguntado sobre a história da adega da granja, que supostamente agora estaria quase vazia, segundo Richa, comparado com o estoque de antes do governo do peemedebista.
Richa reagiu naquela entrevista a diversas declarações negativas a seu respeito e de seu governo, feitas pelo senador. A Granja do Canguiri, apesar de residência oficial do governador do Paraná de plantão, em geral é pouco usada para este fim pelos chefes do Executivo.